Manoel Silva Rodrigues, ex-sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) e natural de Xambioá, Tocantins, foi novamente condenado pela Justiça Militar. Desta vez, ele recebeu uma pena de três anos por associação ao tráfico de drogas, após ser comprovado seu envolvimento em uma organização criminosa que enviava entorpecentes para o exterior.
Condenação anterior e papel no esquema
Rodrigues havia ganhado destaque em junho de 2019, quando foi preso no aeroporto de Sevilha, Espanha, transportando 37 quilos de cocaína em um voo oficial da FAB que acompanhava a comitiva do então presidente Jair Bolsonaro. Por esse crime, ele já havia sido sentenciado a 17 anos de prisão. Na nova decisão, o juiz Frederico Magno de Melo Veras destacou que Rodrigues não era apenas um transportador, mas participava ativamente das negociações e da logística da operação criminosa.
Esquema e facilitação
A Justiça Militar apontou que o esquema se aproveitava da facilidade de circulação das missões oficiais brasileiras para evitar fiscalizações alfandegárias. Rodrigues, devido à sua experiência na FAB, conhecia os protocolos e sabia que sua bagagem dificilmente seria inspecionada. Além dele, o empresário Marcos Daniel Gama e o segundo-sargento Jorge Luiz da Cruz Silva também foram condenados, recebendo penas de 22 e 19 anos, respectivamente.
Valor e investigações
Os 37 quilos de cocaína apreendidos estavam avaliados em cerca de 1,3 milhão de euros, ou aproximadamente R$ 6 milhões na época. As investigações revelaram que o transporte vinha sendo planejado meses antes, com tentativas em março e abril de 2019. O Ministério Público Militar observou ainda que o casal apresentou aumento no padrão de vida, possivelmente devido ao tráfico.
Absolvição por lavagem de dinheiro
Apesar da condenação por tráfico, Rodrigues e sua esposa foram absolvidos das acusações de lavagem de dinheiro. A Justiça concluiu que não havia provas suficientes para caracterizar a ocultação dos recursos ilegais, apesar de compras como uma motocicleta e móveis planejados.
Atualmente, Manoel Silva Rodrigues cumpre uma pena de seis anos na Espanha, em um regime similar à liberdade condicional, enquanto aguarda um pedido de extradição para cumprir a pena de 17 anos no Brasil. Desde 2022, ele foi oficialmente desligado da FAB.








